Início O Arquivo Capítulo II
Quinta · Séc. XIX Ref. THA-002

Quinta da
Memória

Colares, Sintra, Portugal

Valor de custódia

1.950.000 €

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880 Área total
9 div. Divisões principais
5 suítes Quartos
8.600 Terreno agrícola
1847 Ano de construção
"A Quinta da Memória é uma propriedade que o tempo tratou com gentileza invulgar. Os seus jardins românticos, traçados segundo a moda inglesa que varreu Sintra em meados do século XIX, conservam uma densidade vegetal e um silêncio que raramente encontramos tão próximo de Lisboa. A adega, ainda com os seus lagares de pedra originais, é por si só um documento histórico da viticultura colarina." — Isabel C. Tavares, Curadora Sénior

Construída em 1847 por encomenda de uma família de comerciantes abastados de Lisboa, a Quinta da Memória representa o romantismo rural que caracterizou a aristocracia emergente da segunda metade do século XIX. A casa principal, de dois pisos em alvenaria de pedra calcária, organiza-se em torno de um pátio interior com fonte de repuxo em granito rosa, elemento central que define a vida da propriedade.

A fachada voltada a sul, enquadrada por uma pérgola de wistéria centenária, abre para um relvado descendo suavemente até à vinha histórica. O interior distribui-se em dois pisos articulados por uma escadaria em madeira de carvalho, preservada na sua traça original, com balaustrada torneada e degraus marchetados.

A adega, anexa à casa principal, mantém os três lagares de pedra e as pipas de carvalho centenárias que testemunharam décadas de produção vinícola. O vinho de Colares, de casta Ramisco sobre areias, é uma raridade com denominação de origem protegida — a quinta conserva 1,2 hectares de vinha qualificada, em plena produção.

O parque ajardinado de concepção romântica inclui espécies exóticas introduzidas pelo proprietário fundador: camélias do Japão, rododendros himalaienses e uma sequóia-gigante que domina o horizonte a poente. Um lago artificial com ilha central completa a composição paisagística.

Interior

  • Sala de convívio com lareira de pedra
  • 5 suítes com casa de banho privativa
  • Sala de jantar formal (62 m²)
  • Biblioteca com estantes originais
  • Cozinha de campo com forno a lenha
  • Garrafeira em pedra (cave)
  • Quarto de hóspedes independente

Exterior

  • Pátio interior com fonte de granito rosa
  • Parque romântico com espécies exóticas
  • Lago artificial com ilha central
  • Vinha de Colares (1,2 ha) em produção
  • Adega histórica com lagares de pedra
  • Horta murada com estufa vitoriana
  • Poço e nora originais

Classificação

  • Imóvel de Valor Concelhio
  • Vinha Colares DOC em Registo
  • Zona de Protecção PSML
  • Estudo histórico disponível

Infraestrutura

  • Electricidade bifásica + grupo gerador
  • Furo artesiano com análise de qualidade
  • Aquecimento a lenha + elétrico (2020)
  • Sistema de videovigilância exterior
  1. 1847

    Construção original

    Erguida pela família Lemos-Cardoso, comerciantes de tecidos enriquecidos com o Brasil, que escolheram Colares para a sua residência de verão.

  2. 1872

    Expansão do parque

    Contratação do paisagista William Holt para redesenho dos jardins segundo princípios românticos ingleses, com introdução de espécies exóticas.

  3. 1908

    Ampliação da adega

    Construção do actual edifício da adega e instalação dos lagares de pedra, então considerados modernos pelo seu volume de produção.

  4. 1963

    Passagem para a Fundação

    O último descendente directo doou a propriedade a uma fundação cultural privada, que a manteve como residência de artistas em regime sazonal.

  5. 2020

    Intervenção de conservação

    Obras de consolidação estrutural da casa principal, restauro dos caixilhos originais e modernização discreta das instalações sanitárias.

  6. 2024

    Entrada no Arquivo

    Mandato exclusivo entregue ao Heritage Archive após decisão da fundação gestora de alienar o imóvel.

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